segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Em primeiro e até ao fim, por favor

Tentar evitar o aumento da vantagem pontual do Sporting até ao jogo de Alvalade era o objetivo que eu, enquanto adepto, exigia à equipa do FC Porto. Conseguir anular essa vantagem, mercê de um hipotético empate leonino, não era impossível, mas era pouco provável. Chegar a Alvalade em primeiro lugar da Liga era de todo impensável. Mas aí estamos nós, gozando esta suprema ironia do destino: a equipa porventura mais criticada pelos respetivos adeptos (eu, incluído), o treinador mais gozado pelos adeptos adversários, o clube mais menosprezado por uma certa imprensa lisboeta (mais interessada em propagandear os diamantes do Seixal) - estão em primeiro lugar do campeonato.
O jornal A Bola vai ter dificuldades em encontrar uma manchete para amanhã: se o critério puramente jornalístico manda que se destaque o novo líder do campeonato, ainda para mais, num momento simbólico como é a mudança de ano civil, há razões do coração que, por certo, mandarão dar todo o destaque aos coisinhos, que ganharam ao Rio Ave e encurtaram a desvantagem para o primeiro lugar (seja ele ocupado por quem for). Estou mesmo a ver: "Benfica na luta" ou "A fé das águias" a letras garrafais com uma imagem de Jonas. Num cantinho mínimo, uma imagem de Lopetegui e o título "Porto líder, mas assobios continuam".
Houve, de facto, assobios no Dragão. Mas eles foram minuciosamente orientados para a não entrada de André Silva, o miúdo que o Dragão queria ver jogar. Aqui tenho de estar com o treinador e pensar num jogador como Bueno, que até terá mais razões de queixa do que o próprio André (para todos os efeitos, até agora, é jogador da equipa B), e que tem tido um comportamento irrepreensível nesta época em que já poderia ter sido muito mais vezes opção do que foi. Sabemos que os assobios não eram para ele, mas, caramba, não será a melhor das motivações entrar num jogo e ver que os adeptos queriam que entrasse outro.
Eu quero Lopetegui fora do Dragão em 2016/2017, mas jamais assobiarei alguém do clube no meu próprio estádio. Os adversários já perceberam que é fácil criar instabilidade em nossa casa (ouça-se as declarações do treinador da Académica) e tentam aproveitar isso. Sejamos, por isso, inteligentes e, agora que estamos em primeiro, evitar dar tiros nos pés. A começar pelas bancadas.

12 comentários:

Ribeiro DeepBlue disse...

Ontem, senti vergonha de ser portista.
Perder não é vergonha.
Jogar mal, não é vergonha.

Tratar mal os nossos, isso sim, é vergonha.

Pessoalmente, a margem para o Lopetegui, já se esgotou.
Mas continua a ser meu treinador e até ao lavar dos cestos, apoio.

Depois de tantos anos a levar com apitos, agora temos de levar com assobios?!!

reine margot disse...

Plenamente de acordo.
Mas, agora começa outra reflexão: se de fato ficarmos até ao fim em primeiro, com tração à frente, e golos de calcanhar, de quem irá ser a culpa ?

Luis disse...

Muito bem!

Ribeiro DeepBlue disse...

E noutra nota:
Depois das biclas,
Depois da Taça de Portugal,
Depois da derrota com o União da Madeira,
"Doyen" a quem doer, pavilhão com o c........

Mas o Lopetegui é que é uma merda....

Antonio Silva disse...

Ribeiro, eu não senti vergonha de ser portista. Deparei-me é com o triste facto que qq nabo hoje em dia, se quiser, é portista. Nada a fazer.

A maioria destes portistas do assobio se tivessem nascido 20 anos mais cedo já sabemos de que clube seriam.

André Pinto disse...

Portistas que sabem muito mais de bola do que eu asseveram-me que Jesus já estoirou, ou estará prestes a estoirar com os seus melhores jogadores. Tal e qual como fez nas duas primeiras épocas no Benfica, portanto. Como comentámos por aqui, este é uma competição de batanetes e no fim ganha o menos asno.

André Pinto disse...

Eu acho que criticar os adeptos, como se de uma massa consciente e homogénea se tratasse, é um exercício estéril. A crise é sempre de liderança; nunca se pode responsabilizar o peão, que apenas adere e responde conforme o exemplo que vem cima. Assobiadeiros sempre os houve nas Antas, em tempos de acefalia na chefia. Tal é um sintoma da doença, não o mal em si.

Antonio Silva disse...

André, a primeira época do Jesus no Benfica foi o ano do túnel. Estás a falar das duas épocas seguintes.

André Pinto disse...

Não estou não. Apesar de terem sido campeões, em fevereiro começaram a arrastar-se e a atacar com menos unidades. Com Villas Boas, a superior nota artística arengada pelos vermelhos desapareceu nos idos do mesmo mês. Na primeira temporada do Vitor Pereira o labrego que agora mora em Alvalade, fez-se cauteloso, talvez traumatizado por humilhação constante diante de Villas Boas. O Benfica quebrou psicologicamente depois do extraordinário jogo na Luz, em que VP deu um banho táctico ao Chiclas, deu a volta ao resultado e passámos para a frente do campeonato. Não foi quebra física, tendo o Benfica chegado a essa jornada ufano, fresco e confiante numa vitória fácil. Na temporada seguinte, o Benfica teve um plantel de vastíssimos recursos e conseguiu competir até ao fim em várias frentes, mas com a colecção de traumas que sabemos.
Agora vemos Jesus rodando um plantel curto numa jornada do campeonato, antes de um clássico e do Natal, arriscando o trunfo psicológico da liderança para esse jogo. Obviamente, isto não foi opção, foi-lhe imposto pelas enormes limitações de recursos do Sporting, e pelo desajuste entre estas e o seu modelo de jogo, que exige muita disponibilidade física aos jogadores.

Netshark disse...

Bem há que dizê-lo com frontalidade, a validade de Lopetegui nunca existiu.
Existiriam e existem bons 11s do FCP que permitem levar um treinador vulgar muito para alem das suas capacidades. Jesus ou Rui Vitoria já tinham feito melhor com esta equipa desde o inicio.
Com este episódio, o 1o lugar cai no colo de Lopetegui e ele ainda é capaz de achar que fez alguma coisa bem, embora não saiba bem o quê.
Toda esta situação faz-me lembrar os campeonatos que o Benfica ganhou ao FCP, não por mérito do adversário, mas por nossa própria culpa. Lembram-se do Pinto da Costa e do orgasmo de contratar 3 treinadores numa única época?
Agora os papeis invertem-se e por culpa de um tropeção de jesus estamos na frente...até à próxima experiência do nosso cientista de futebol.

André Pinto disse...

Agora temos o Osvaldo dizendo que veio para jogar a Champions. Acho que todos os portistas lhe reconhecem o empenho que pôs em campo, mas se veio para cá com esse exclusivo objectivo, então problema dele. Ninguem tem lugares cativos, nem certezas absolutas relativamente a nenhuma competição. Admitindo que a Champions é um importante factor de atração para qualquer jogador, Osvaldo nem sequer é titular de caras no FCP para o Campeonato Nacional luso - não sei de que se queixa. Parece-me ridículo ter um jogador que esta no banco praticamente desde que chegou, a choramingar que veio pela Champions. A isto se chama ter um ego enorme, porque ate o seu lugar no banco se encontra ameaçado por um André Silva em chamas! Osvaldo esta frustrado porque não rendeu o que desejava e vê o seu espaço no plantel reduzir-se cada vez mais. Neste momento, nem sei se seria titular na Taça da Liga, estando o portento jovem da B a caminho da equipa principal!

Se existirem réstias da antiga estrutura no nosso clube, Osvaldo sairá por um bom preço, ou volta e afocinha nos treinos como todos os colegas que lutam para jogarem.

Netshark disse...

André Pinto: Osvaldo era uma saltibanco antes de vir para o FCP e continua a se-lo. Muito vedetismo de quem passou por grandes clubes mas nunca fez nada de jeito.
É dado como certo no Boca em Janeiro e tudo somado, já gastaste muitas linhas com ele; não faz falta nenhuma, tal como o treinador. O PdC que os despache da $melhor maneira$ possível.