domingo, 3 de junho de 2012

Banho turco

Olhemos para o jogo de ontem como um jogo de pré-época em que o resultado é o que menos importa. Pensemos que daqui a uma semana é que é a sério e que Paulo Bento ainda vai a tempo de criar os automatismos de que Gabriel Alves falava nos seus relatos do antigamente.
Até porque ontem não estivemos assim tão mal como os assobios no final fizeram transparecer. Até acho que jogámos melhor do que no jogo com a Macedónia. A questão é que a Turquia foi de uma eficácia a toda a prova e nós falhámos lá na frente - tanto, já agora, quanto lá atrás, mesmo que o Record nos queira convencer do contrário. É que tão assustador como permitir a antecipação de um avançado, como aconteceu a Coentrão, é talvez falhar um penalti com o nome "Ronaldo" escrito na camisola. Ou então fazer o que Hugo Almeida conseguiu fazer: na cara do redes turco, passar para o lado, em vez de assumir o remate à baliza (se ainda houvesse portistas a lamentar a dispensa do avançado do Besiktas, ontem devem ter ficado convencidos...).
Já agora, e por falar em erros, é engraçado ver como as opiniões se dividem por essa Internet fora e até nos meios de comunicação social sobre quem teve mais responsabilidades no primeiro golo da Turquia. Eu acho que até podemos dividir a coisa tendo por critério a clubite: os adeptos do Benfica acham que a culpa foi do Miguel Lopes, que se deixou comer "tipo-Emerson", e do Bruno Alves (o anti-Rodrigo, que tirou o campeonato ao clube do milhafre), que não comunicou com o Rui Patrício, que, por sua vez, ficou a vê-la passar; os adeptos do Sporting, acham que a culpa é do Miguel Lopes e do Bruno Alves, pelos mesmos motivos dos benfiquistas, mas também do Fábio Coentrão, que se deixou, emPOLGAdamente, antecipar pelo marcador do golo; os adeptos do FC Porto acharão que a culpa é do Fábio Coentrão. Ponto.
Uma coisa parece saltar aos olhos de todos: falta naquele meio-campo um número seis competente, alguém com velocidade e poder de choque para lutar, com capacidade de antecipação e de corte, com precisão no passe para sair a jogar. Sim, adivinharam-me o pensamento: um Fernando, pois claro. Se Miguel Veloso parece ter perdido o capital que tinha para esta posição, será Custódio o homem de que precisamos? Ou a opção poderá ser a de recuar Raul Meireles e abrir vaga no meio-campo para Viana ou Micael? E se a solução passar por Pepe, entrando Rolando para o centro da defesa? Uma série de questões que a que ainda vamos a tempo de dar resposta. Vamos, não vamos, Paulo Bento?

3 comentários:

G. disse...

O Miguel Lopes foi comido, é um facto. Poderia ter feito melhor, mas a culpa não é dele pois quem deveria estar lá é o Bosingwa. O Rui Patrício só sabe defender - remates, entenda-se - pois leitura de jogo não é com ele e lá se vai safando pelo ar - apesar da má leitura de jogo - porque tem aquela altura toda. O Bruno Alves deixa a bola passar e concentra-se no adversário que estava a marcar, provavelmente convencido que tinha um guarda-redes a sério na baliza e que os outros companheiros estariam a marcar os restantes adversários. Enganou-se. O Fábio Coentrão - já muitas vezes comido por Hulk e outros - deixou-se antecipar, permitindo o golo ao turco.

Não é só um número 6 que falta a esta equipa. Na verdade, falta um 6, um 10 e um 9 na melhor das hipóteses. Jogámos com três 8 contra a Turquia o que originou desequilíbrios óbvios no meio campo e uma falta de criatividade gritante.

O Coentrão pode atacar bem mas compromete a defender. O Miguel Lopes vai pelo mesmo caminho. Daí a necessidade de um 6 táctica e fisicamente forte para compensar as subidas dos laterais. E a situação que apresentas, com a subida do Pepe para trinco é claramente a mais lógica.

De resto, espero que o Paulo Bento aposte no Nelson "Zero Golos" Oliveira pois apesar de tudo parece-me melhor aposta que o "Descerebrado" Almeida e o "Inútil" Postiga.

As saudades que eu tenho do R. Carvalho e do Bosingwa...

PeLiFe disse...

Caros guardabel e pôncio,

Convido-vos a visitar o meu blogue.
basel84.blogspot.pt
Obrigado.
Cumprimentos,
PeLiFe

André Pinto disse...

Este tipo http://www.youtube.com/watch?v=0-Wc_qhvG94 promete. Um misto de Benny e Lizandro.

Sobre a seleção, tenho a dizer que nos safámos de boa.

1) Ao intervalo, os comentadores da RTP1, num bonito reflexo das altitudes estratosféricas da ambição lusa, afirmaram que a coisa estava a correr bem. Com 36% de posse de bola e zero (0!), repito, zero (0) remates à baliza teutónica. Naturalmente, quando a fasquia é não ser esmagado, o empate é uma vitória. Ao intervalo.

2) Os mesmos comentadores, pouco antes do golo de Mário Gomez, aludiram a um suposto esbater da arrogância alemã, em virtude de alguns ataques da equipa portuguesa. O que se viu durante o jogo contrariava essa presunção de arrogância: um excesso de cautela, um respeito incompreensível, na forma de jogar da Alemanha, que assim poupou a seleção das quinas a maiores sufocos. Os comentadeiros preparavam o terreno à costumeira vitória moral, contando com o célebre síndrome de David dos portugueses. Era bom, não era? Termos perdido, mas eles serem arrogantes e termos, ao menos, calado o estádio durante breves minutos... O problema - reality is a bitch - é que os alemães jogaram com muita, demasiada, humildade.

3) Exceptuando o desgaste anímico causado por certas confusões no passado, chegamos facilmente à conclusão que Carlos Queirós fez o que pode com o que tinha, o que equivale a admitir que Paulo Bento não trouxe nada de novo à seleção. Nem podia. Sem um médio criativo de raíz, sem um ponta-de-lança digno desse nome, Portugal tem de jogar forçosamente na expectativa e abdicar da posse de bola. Este jogo com a Alemanha foi muito parecido ao do mundial frente à Espanha. Esta é uma seleção que só pode apostar na solidez defensiva e depositar as suas esperanças atacantes em lances individuais, ou contra-ataques rápidos.

4) Se Postiga é uma nulidade, ficou demonstrado que o actual valor de Nelson Oliveira se encontra inflacionado pelos priapismos benfiquistas, que no passado fizeram o mesmo com um mediano João Pereira. Ainda que reconhecendo margem de progressão e potencial ao ponta do Benfica, a verdade é que se encontra ainda verdinho, falto de confiança e fraco entre centrais de alto cotorno. Em alguns choques com a defesa alemã chegou a ser patética a forma como abordou o lances, lento e algo mole. Talvez fossem os nervos, mas não é alternativa a Postiga. Em grande parte, Portugal quase que joga com menos 1, tal é a inoperância dos pontas-de-lança disponíveis. E, para agravar a situação, a falta de um 10 puro limita o fornecimento de bolas para os avançados, estando Ronaldo e Postiga muito sozinhos, distantes dos restantes colegas. Quem assumiu quase sempre a condução de ataques organizados? Fábio Coentrão, um lateral esquerdo.... Não admira que Ronaldo desapareça do jogo.

5) Varela é um bom jogador. E ponto. Falta-lhe classe para dar aquele salto. O FCP é o máximo na sua carreira, que ficará irremediavelmente ligada à época de Villas Boas, sem o qual seria o mesmo jogador errático de antes. A sua entrada em campo trouxe velocidade à equipa, numa altura em que a Alemanha recuava as linhas, tentando gerir o jogo. Mas há momentos que distinguem os bons jogadores dos eleitos. Varela teve o seu e o resultado foi claro. Com a responsabilidade de arrancar o empate, anichando a redonda no canto oposto da baliza e fazendo o contrapé ao defesa e guarda-redes que chegavam em esforço, Varela engasgou-se todo e bujardou, como se a bola lhe queimasse os pés, como se quisesse ver-se livre de um problema. Não teve a presença de espírito necessária, ingrediente próprio dos mestres, apesar de ter tido espaço, tempo e distância.

Siga p'ra bingo.